Recentemente, tive uma conversa marcante com o ator e apresentador Bernardo Langlott (ex-namorado de Glória Maria), que compartilhou sua trajetória de superação ao enfrentar desafios como depressão, homofobia e pressão estética. Suas palavras ficaram ecoando em mim: “Organizei minha vida, me sinto vivo e feliz! Agora é só comemorar e viver.” Essa frase, simples e poderosa, me fez refletir sobre como aceitar nossa autenticidade é um ato de coragem – especialmente em um mundo que, muitas vezes, tenta nos apagar.

Pensei também em uma frase dita por Vinícius Nascimento, participante do "BBB 25", ao ser questionado sobre sua sexualidade: “Eu não sei ainda.” Parece uma resposta simples, mas ela carrega um peso enorme em um mundo que insiste em rotular e invalidar quem não se encaixa em padrões. Até quando nossas verdades serão silenciadas por narrativas que negam a diversidade?
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A bissexualidade, por exemplo, é constantemente apagada. Quantas vezes ouvimos que é “uma fase” ou uma confusão? Essas falas deslegitimam milhares de pessoas que vivem suas experiências em silêncio, com medo de julgamentos. Mais do que uma questão pessoal, é um reflexo de uma sociedade que ainda mede o valor das pessoas por rótulos e padrões limitadores.
Esse cenário se agrava com retrocessos como os recentes discursos de Donald Trump, que propôs medidas para reduzir o reconhecimento de identidades de gênero e invalidar décadas de luta por direitos. Políticas assim não afetam apenas números; elas impactam vidas. Um relatório da Universidade da Califórnia alerta para o aumento de barreiras sociais e emocionais enfrentadas pela comunidade LGBTQIAPN+. Para quem cresceu acreditando no progresso, esses tempos soam como ficção distópica.

Essa sensação de distopia não afeta apenas os adultos. Há poucos dias, uma garota que acabou de fazer 16 anos me disse algo que ficou preso na minha mente: “Os últimos tempos estão tão surreais que parece até um episódio dos Simpsons.” Ela soltou um riso curto, mas havia algo mais profundo por trás daquelas palavras.
Enquanto desabafava, percebi a frustração em sua voz. Ela falou sobre como é difícil sonhar com o futuro quando tudo ao redor parece confuso e fora de controle. Era como se cada tentativa de acreditar fosse imediatamente esmagada por uma nova onda de incertezas. Ainda assim, apesar do cansaço, ela não tinha desistido completamente.
Havia uma luz, quase imperceptível, mas real. Uma força que ainda resistia – como uma estrela tentando brilhar em meio a um céu nublado.
E talvez seja isso que nos mantém de pé. Não é sobre fingir que está tudo bem, mas sobre persistir, mesmo quando o caminho parece impossível. Sobre acreditar que, enquanto houver uma estrela no horizonte, por menor que seja, ainda existe luz. Assim como Bernardo encontrou a dele, todos podemos encontrar a nossa. Afinal, é a coragem de brilhar, mesmo no escuro, que nos faz seguir em frente.


Fabiano Lacerda
Fabiano Lacerda
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