iBahia Portal de notícias
icone de busca
Operação Overclean

PF cumpre mandados contra suspeitos de desvios na BA, SP, MG e SE

Dezesseis mandados de busca e apreensão e uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público são cumpridos nesta quinta-feira (3), em Salvador

foto autor

Redação iBahia

03/04/2025 às 9:18 - há XX semanas
Google News iBahia no Google News

A Polícia Federal (PF) executa, nesta quinta-feira (3), 16 mandados de busca e apreensão, além de uma ordem de afastamento cautelar de um servidor público, na 3ª fase da Operação Overclean. A operação investiga um grupo suspeito de envolvimento em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.


				
					PF cumpre mandados contra suspeitos de desvios na BA, SP, MG e SE
​Foto: Redes Sociais

Os mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju.

Leia também:

A TV Bahia apurou que dois dos alvos da 3ª fase da operação são o empresário José Marcos Moura, conhecido como "Rei do Lixo", suspeito de ser um dos líderes do esquema criminoso, e o secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral.

Bruno Barral, que foi secretário de Educação de Salvador entre setembro de 2017 e novembro de 2018, teve mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira nas capitais baiana e mineira.

O g1 e a TV Bahia tentaram contato com as defesas de José Marcos Moura e Bruno Barral, mas não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem.

Atuação 'sistemática e coordenada'

A organização criminosa suspeita de promover desvios milionários em recursos públicos "atua de forma sistemática e coordenada pelo menos desde 2021", conforme descrito na decisão judicial que determinou a prisão preventiva dos investigados.

Em dezembro de 2024, dezesseis pessoas foram presas na Bahia, em São Paulo e Goiás. Uma semana depois, o Tribunal Regional Federal (TRF) determinou a soltura de 11 delas.

O grupo teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, sendo parte desse valor proveniente de emendas parlamentares e contratos firmados com órgãos públicos apenas em 2024.

Inicialmente, os desvios ocorriam por meio de contratos superfaturados com o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). Os crimes investigados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos, além de lavagem de dinheiro.

Histórico da operação

Ainda em dezembro de 2024, uma semana antes da Operação Overclean, a Polícia Federal apreendeu R$ 1.538.700,00 com suspeitos de envolvimento em desvios milionários de recursos públicos. Para os investigadores, não havia dúvida de que o dinheiro tinha origem ilícita e seria utilizado para o pagamento de propinas em Brasília.

Segundo a Receita Federal, a organização criminosa operava um esquema estruturado para direcionar recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a administrações municipais.

A quantia apreendida dias antes da operação foi transportada em um voo particular, que saiu de Salvador com destino a Brasília.

De acordo com a decisão judicial, a investigação da PF identificou que o empresário Alex Rezende Parente e o ex-coordenador do DNOCS na Bahia, Lucas Maciel Lobão Vieira, usavam aeronaves para transportar grandes somas em dinheiro. Ambos foram monitorados desde o hangar em Salvador até a abordagem na capital federal.

Além de apreender o dinheiro, a PF colheu depoimentos dos suspeitos envolvidos no ato e constatou "diversas contradições". A decisão descreveu que "Alex Rezende alegou que o montante provinha de vendas de equipamentos, enquanto Lucas Lobão afirmou desconhecer a existência do dinheiro".

Na ocasião, também foi apreendida uma planilha "contendo relação de contratos e valores, com menção a 'MM' (possível referência a Marcos Moura), totalizando mais de R$ 200 milhões em contratos suspeitos no Rio de Janeiro e Amapá".

O g1 procurou a defesa de Alex e Lucas, que preferiu não se posicionar em respeito ao sigilo profissional. Em nota emitida, o advogado Sebástian Borges de Albuquerque Mello disse que "pretendia se manifestar sobre o mérito da acusação perante as autoridades competentes, no tempo e local adequados".

Entenda o modus operandi da organização criminosa


				
					PF cumpre mandados contra suspeitos de desvios na BA, SP, MG e SE
PF cumpre mandados judiciais em cinco estados. Foto: Receita Federal

A apuração teve início quando investigadores da Receita Federal descobriram que uma organização criminosa operava um esquema estruturado para desviar recursos públicos. Esses recursos, originários de emendas parlamentares e convênios, eram direcionados a empresas e indivíduos ligados a administrações municipais.

As investigações revelaram a prática de superfaturamento em obras e o desvio de recursos, com o apoio de intermediários que facilitavam a liberação de verbas para projetos previamente selecionados pela organização criminosa.

Veja abaixo como o grupo atuava:

  • por meio de operadores centrais e regionais, que cooptavam servidores públicos para obter vantagens indevidas, tanto no direcionamento quanto na execução de contratos;
  • após garantir a celebração dos contratos fraudulentos, as empresas envolvidas superfaturavam valores e aplicavam preços acima dos preços referenciais de mercado;
  • os pagamentos de propinas eram realizados por meio de empresas de fachada ou métodos que dificultavam a identificação da origem dos valores.

A Receita Federal informou ainda que as investigações apontaram também que a lavagem de dinheiro era realizada de forma "altamente sofisticada", incluindo o uso de:

  • empresas de fachada controladas por “laranjas”, que movimentavam os recursos ilícitos;
  • empresas com grande fluxo financeiro em espécie, utilizadas para dissimular a origem dos valores desviados.

Relatórios elaborados pelo órgão, em cumprimento à ordem judicial, apontaram inconsistências fiscais, movimentações financeiras incompatíveis, omissão de receitas, utilização de interpostas pessoas e indícios de variação patrimonial a descoberto.

Os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, com penas de 2 a 12 anos de reclusão, peculato, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem ultrapassar 50 anos de reclusão, além das multas previstas na legislação.

Foto do autor
AUTOR

Redação iBahia

AUTOR

Redação iBahia

Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!

Acesse a comunidade
Acesse nossa comunidade do whatsapp, clique abaixo!

Tags:

Mais em Segurança